quarta-feira, 27 de maio de 2015

Cibercultura também é Cultura ?

 
                                       
"  A Era da Informação, de maneira geral, constitui o novo momento histórico em que a base de todas as relações se estabelece através da informação e da sua capacidade de processamento e de geração de conhecimentos. A este fenômeno Castells (1999) denomina “sociedade em rede”, que tem como lastro revolucionário a apropriação da Internet com seus usos e aspectos incorporados pelo sistema capitalista. A sociedade em rede também é analisada por Lévy (1999) sob o codinome de “cibercultura”, sendo, pois, este novo espaço de interações propiciado pela realidade virtual (criada a partir de uma cultura informática). Ao explicar o virtual, a cultura cibernética, em que as pessoas experienciam uma nova relação espaço-tempo, Lévy (1998) utiliza a mesma analogia da “rede” para indicar a formação de uma “inteligência coletiva”. 

        Muito embora a linha de análise dos autores abordados siga caminhos díspares, sendo Castells com uma abordagem marxista da sociedade capitalista e Lévy com um pensamento antropológico, há um aspecto que não pode ser recusado na intersecção dos autores acerca dos estudos das tecnologias de comunicação, que nos leva a uma conclusão primordial: não é possível mais ignorar o impacto dessas tecnologias à vida humana, muito menos à vida em sociedade. A possibilidade de participação e a exclusão do universo digital, integrando-se ao processamento de dados e à geração de conhecimentos, ou mesmo estando à margem dessa dinâmica, afeta, sobretudo, a relação humana em que a comunicação se faz atuante, perpassando os aspectos antropológico, social e mesmo filosófico.

          São linguagens, usos, percepções sensoriais, novas identidades formadas e trocas simbólicas que estão emaranhadas em rede, que não descarta nem mesmo o aspecto econômico dentro dessas novas relações. Do ponto de vista da economia, a rede trouxe mudanças profundas à sociedade, redefinindo as categorizações de Divisão Internacional do Trabalho (DIT) entre os países e as economias. Mas, afinal de contas, as tecnologias de comunicação estão a serviço de que, ou de quem? Que mudanças são trazidas por essas tecnologias à vida do homem e à sociedade? O que desencadeou todo esse processo? E mais: o que pode ser apreendido dessa relação humana mediada por máquinas?          
          Para responder a estas perguntas, nos propomos a utilizar, neste artigo, as obras de dois grandes pensadores da Era da Informação: Manuel Castells e Pierre Lévy, trazendo à tona a contribuição e as elucidações sobre os assuntos tratados, quer seja do ponto de vista do homem, que seja do ponto de vista da sociedade. Este artigo está dividido em três partes, sendo o primeiro tópico uma abordagem das tecnologias de comunicação e da rede, com uma alusão específica ao surgimento computador e da cultura informática. No segundo item realizamos um levantamento sócio-econômico da rede, dentro da lógica de reformulação do sistema capitalista que se deu na década de 70 no século passado, interpondo a abordagem utilitarista exposta por Castells (1999) e a dimensão subjetiva explorada por Lévy (1998) na formação de uma inteligência coletiva. 

     Por fim, indicamos as mudanças trazidas pelas tecnologias de comunicação, dentro das concepções dos autores sobre o novo processo comunicativo que se desvela na sociedade em rede ou na cibercultura. "

>>  http://www.insite.pro.br/2009/Maio/sociedade_ciberespa%C3%A7o_Isabella.pdf <<

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